Decoração ganha prioridade no meio corporativo

Contate-nos
Categoria:
Notícias

A competição de mercado tem estimulado, cada vez mais, as empresas de diferentes portes na busca por soluções inteligentes que lhe garantam solidez

Empresas de diferentes segmentos investem na área da decoração de ambientes e constatam elevação na produtividade com satisfação de seus colaboradores
Empresas de diferentes segmentos investem na área da decoração de ambientes e constatam elevação na produtividade com satisfação de seus colaboradores
A competição de mercado tem estimulado, cada vez mais, as empresas de diferentes portes na busca por soluções inteligentes que lhe garantam solidez e excelência diante do seu setor de atuação e de seus concorrentes. Dentre os desafios enfrentados por essas companhias estão a reorganização de pessoal e reestruturação tecnológica dentro do ambiente corporativo.

Com essa nova postura das empresas, a decoração corporativa ganha destaque no segmento da arquitetura, no qual projetos passam a ser pensados especialmente para aliar e oferecer beleza, funcionalidade, conforto e produtividade aos colaboradores, além de promover um marketing espontâneo sobre a saúde e a capacidade de atualização da empresa diante das tendências do mercado.

Na opinião da arquiteta Claudia Andrade, do escritório Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa, a decoração corporativa tem a capacidade de refletir a imagem da empresa, tanto para o público interno quanto para o externo. Segundo a profissional, o ambiente físico do escritório reflete tanto as características de cultura do lugar onde está localizado, quanto as estratégias de gestão da empresa, o tipo de segmento onde ela atua, e sua origens.

“Uma empresa do setor financeiro, automaticamente, acaba sendo mais rígida e formal, diferente do ramo publicitário, por exemplo, que é uma empresa mais despojada e flexível, em razão do próprio negócio”, diz. “As pessoas que trabalham nessas empresas, também possuem perfis diferentes e precisam se sentir bem inseridas e confortáveis nesses determinados lugares”, continua.

A transformação
Claudia explica que essas adaptações vão além das tendências de decoração, que prezam por ambientes mais confortáveis e criativos. “Em meados do século passado, os escritórios passaram por profundas transformações”, diz ao lembrar do fim da década de 1970, quando se iniciou o processo de terceirização no mundo inteiro, em razão das crises provocadas pelo petróleo, pela guerra do Vietnã, o ingresso dos japoneses no setor automobilístico entre outros fatos.

“Diante dessas transformações, para as empresas serem competitivas, precisavam ser mais enxutas, porém mais rápidas, para atender as necessidades de fazer negócios”, contextualiza. “Nesse período, começaram a perceber que as estruturas eram muito hierárquicas e precisavam ser simplificadas. Assim, as empresas passaram a priorizar seu negócio principal e terceirizar tudo que era periférico ao seu negócio.” Passado esse primeiro momento, segundo a profissional, na década de 1980, com a evolução da tecnologia da informação, as empresas passam a investir em automação, o que resulta em um número significativo de pessoas que perderam seus empregos em razão das suas funções operacionais.

“De lá pra cá, cada vez mais, as atividades nos escritórios são de base intelectual, que requer a capacidade única do ser humano de transformar informação em conhecimento e conhecimento em desempenho”, diz ao enfatizar que, desde então, as empresas passaram a perceber que o capital mais importante para elas é o humano e intelectual, e para atender às suas necessidades, passaram a investir em ambientes confortáveis, seguros, funcionais, com mobiliário ergonomicamente correto, entre outras ações.

Mas, para fechar esse ciclo, a tecnologia da informação garantiu ainda a possibilidade das pessoas trabalharem em qualquer lugar, o que gerou uma nova transformação nos escritórios, que visavam lucros a baixos custos, com a atividade dos funcionários praticada em casa no estilo “home office”, o que, segundo Claudia, não obteve êxito.

“O trabalho ainda era um projeto de vida. Quando esse contingente foi mandado para fora das empresas, ocorreram diversos problemas como, por exemplo, depressão em razão do isolamento, crises familiares por falta de estrutura nas residências, doenças por uso inadequado de mobiliário, e até vazamento de informações para concorrentes”, conta.

“Quando as empresas perceberam que, com essa mudança tinham dado um tiro no próprio pé, passaram a pensar que a forma de trazer as pessoas de volta para dentro das empresas era criar ambientes mais criativos e instigantes”, explica a arquiteta.

De acordo com ela, os locais físicos, passaram a ser uma ferramenta da empresa para reter talentos e desenvolver o orgulho nas pessoas de irem trabalhar naquele determinado lugar. “Quando as empresas criam esses ambientes, é também para se exporem ao mercado como uma companhia criativa e aberta as transformações e tendências”, diz ao enfatizar que, o principal objetivo da empresa é oferecer o máximo de benefícios para seus funcionários, e com isso extrair a maior produtividade possível.

Investir em que?
Segundo Claudia, atualmente, a tendência nos escritórios é possuir ambientes compostos por um mix de espaços, que as pessoas usem de acordo com suas necessidades. “É pensar no escritório como se fosse a nossa casa, com as peculiaridades de cada cômodo”.
De acordo com ela, dentre as principais solicitações das companhias, estão os chamados “locais de descompressão”. “Pelo fato das pessoas estarem sujeitas ao estresse diário, o que prejudica o rendimento de produção, as empresas pedem ambientes nos quais o funcionário pode se acomodar por cerca de 15 minutos para relaxar”, explica ao detalhar que os locais são pensados com mesas de jogos, jardins, pufes, entre outros itens.

Outra solicitação, segundo Claudia, é que sejam ambientes integrados. “O trabalho individual não precisa ser realizado no escritório mas, cada vez mais, as atividades de escritório passam a ser interativas”.

A dupla tecnologia e mobilidade também é importante para garantir um bom desempenho no trabalho, afirma a profissional. “O uso do notebook e do tablet permite a realização da tarefa em qualquer lugar, mas dentro da empresa os lugares precisam estar preparados para isso”, finaliza ao afirmar que as adaptações independem do porte da empresa e sim da cultura e de seus valores.

Bom exemplo
Criativo e estiloso são os adjetivos que melhor definem o escritório da agência especializada em gifts corporativos, Dreams Arquitetura de Ideias. Há dez anos no mercado, e fundada pelas publicitárias Marcelle Comi e Fernanda Lancelloti, a empresa é um case que mostra a total sintonia com a tendência de decoração corporativa, em um projeto desenvolvido pela arquiteta Cristiana Pardini, solicitações e sugestões das sócias.

“Como temos a formação publicitária, temos essa cultura muito enraizada no nosso trabalho”, explica Marcelle. “Essa é uma prática muito comum neste segmento, que tende a ser um lugar diferente”, continua. “Como somos uma agência especializada em desenvolver produtos exclusivos para qualquer ação de comunicação, esse é o nosso universo, e buscar novas ideias está no nosso dia a dia”, conta a empresária.

A decoração

Difícil adentrar no escritório da empresa e não se sentir totalmente envolvido por uma atmosfera lúdica, que propõe um ambiente jovem e descontraído. Já na recepção, o visitante se depara com uma série de produtos, desenvolvidos pelo próprio escritório, que ficam expostos em uma prateleira à esquerda, de frente com um painel que remete ao céu com nuvens, como se fosse visto das janelas de um avião. A logomarca da empresa também é uma recepcionista interessante, já que na figura de uma “garotinha” ganha cores diferentes sempre que alguém decide trocar, de acordo com a inspiração do dia, que pode ser azul, rosa ou branca.

Ao subir para o primeiro andar, o visitante é surpreendido mais uma vez. A decoração do hall de espera é um misto de peças clássicas, como a moldura do espelho fixado a uma das paredes, em contraste com o conjunto de mesa e cadeiras de design contemporâneo. Para complementar, o ambiente, frases de inspiração aos colaboradores estampam a parede e conferem a proposta de valorização dos funcionários por parte da empresa.

Na sala de reuniões, nada de móveis em tom de marrom ou as tradicionais cadeiras de couro preto. O colorido invade a decoração e a mesa ganha vidro pintado de azul turquesa, em composição com cadeiras de acrílico transparente. A parede, revestida de tijolinhos aparentes, abriga o contemporâneo quadro branco, com moldura clássica. No canto, uma prateleira sustenta e expõe mais alguns produtos desenvolvidos pelo escritório, que se transformaram em artigos de decoração.

Separada apenas por uma parede de vidro, estampada com palavras de inspiração a sala, destinada aos desenhos e criação dos produtos desenvolvidos pela empresa, é um destaque à parte. O ambiente ganhou grafites criados pela grafiteira Tikka, conhecida pelos seus bonecos de expressões tímidas e olhos enormes. Além de um enorme armário para uso dos funcionários, que remete aos de vestiários, vistos nos filmes norte-americanos.

O grafite de Tikka se repete no ambiente destinado para armazenar e selecionar os materiais usados nos produtos. O desenho além de estampar uma porta basculante de garagem, que lembra a origem da empresa — iniciada na garagem da casa de uma das sócias —, também colabora com a décor.

Para os funcionários não se preocupar em procurar estabelecimento para fazer as refeições, a empresa instalou uma charmosa cozinha, local onde é realizada, uma vez por mês, uma ação de integração da equipe intitulada “café criativo”, onde a proposta é ter um café da manhã inspirado em um tema diferente a cada edição.

Na decoração do ambiente, desde a mesa feita de madeira de demolição, até os utensílios como porta guardanapos e saleiro tem uma proposta lúdica envolvida em cores contrastantes que mesclam conceitos contemporâneos com estilos vintage.

A empresa não tem uma área específica de descompressão, mas está instalada em um charmoso condomínio de escritórios, que preza por segurança e um projeto de paisagismo. “Digo que a Dreams é a extensão da minha casa”, diz Marcelle.

Fonte: www.dci.com.br